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Annik Salmon: “a Tijuca está mordida”

17 de janeiro de 2018
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Annik Salmon: “a Tijuca está mordida”

ANDERSON BALTAR

Um dos maiores desafios do Carnaval 2018 será cumprido pela Unidos da Tijuca. Escola que adquiriu status de grande nos últimos 15 anos, passou por uma tragédia em seu último Carnaval com a quebra do seu segundo carro alegórico – o que comprometeu todo o desfile. Abrindo o desfile de segunda-feira, a azul e amarela mostra-se disposta a apagar o episódio do desfile passado e voltar a brigar pelas primeiras posições. Uma das carnavalescas da escola, Annik Salmon, conversou com a gente sobre os preparativos da Unidos da Tijuca.

Como está o espírito de vocês depois de tudo que aconteceu no ano passado? A escolha do enredo mais leve e popular é uma tentativa de levantar a moral da escola e cativar o público?

Depois do acidente, estamos todos mordidos e viemos para fazer o melhor possível. Independente do tema, a comunidade é de uma garra incrível. Optamos por Miguel Falabella, um artista muito popular, e isso ajuda a Tijuca  a se levantar do ano passado em termos de motivação, porque em termos artísticos, a escola estava linda e o enredo era ótimo. Infelizmente, tivemos o acidente e sequer conseguimos mostrar a proposta. Muitos até se esquecem do enredo e só se lembram da tragédia. A compreensão de todo o trabalho ficou prejudicada.

Quando começamos o projeto, procuramos fazer o melhor, para voltar no Desfile das Campeãs. É um projeto para mexer com o público, de interação e identificação imediata de fantasias e carros. Procuramos sempre a superação como artistas. Mas o desafio desse ano é maior: tirar a visão de derrotada da escola e brilhar.

Como surgiu a ideia do enredo?

Foi o Marcus Paulo. Ele já trabalhou com o Miguel fazendo cenários e são amigos há muito tempo. Ele já vinha falando sobre essa ideia com a gente há alguns anos. E decidimos que esse era o ano para começar a desenvolver. O presidente gostou da ideia e começamos a conversar com o Miguel, que aceitou de cara e nos ajudou muito com as informações. E ele é tijucano. Ele nasceu na Ilha, passou sua infância lá, mas sua história no Carnavla é aqui na Tijuca, por onde desfilou várias vezes e também no Império da Tijuca, onde foi carnavalesco.

Como essa história será contada?

É um carnaval com a essência do Miguel: leve e bem humorado. O desenvolvimento do enredo abarca todas as facetas de sua criatividade. Ele começou a reparar seu talento artístico na infância, na Ilha do Governador. Ele era um leitor ávido e ganhou o “Pequeno Príncipe” de presente da tia. Em sua fantasia, ele sentia-se como o personagem, preso em uma Ilha e com toda sorte de seres criados por sua imaginação. Nesse universo fértil de criança, surgiu o grande artista.

No segundo momento, falamos do Tablado e sua formação de ator. Depois, falaremos de seu trabalho na TV, no teatro, seu trabalho como cronista em O Globo. Sua atuação no teatro, com suas adaptações para os musicais da Broadway. E, para finalizar, todo o seu amor pelo Carnaval.

Abrir o desfile faz alguma diferença na elaboração do projeto de Carnaval?

É diferente para a Tijuca abrir Carnaval, é algo que ela não faz há muito tempo. Antes de saber a ordem do desfile, já com o enredo em mãos, a gente sabia que seria um enredo alegre, divertido, que vai trazer o público para a gente. Então, é um bom tema para abrir um dia de Carnaval, especialmente o segundo, porque é um dia quente. Acho que a Tijuca já vai abrir colocando um clima de alegria e motivação na avenida. Quem vier atrás da gente, se não vier no mesmo pique, vai ter problemas (risos).

Em relação à questão técnica, é ótimo. Vamos ter muito tempo para montar os carros, do jeito que projetamos. Especialmente por estarmos no lado dos Correios.

Como a Tijuca passou por esse momento de crise, com corte de verbas e barracão paralisado pelo Ministério do Trabalho?

A gente tem a grande vantagem aqui na Tijuca: a escola é bastante organizada. Aqui não tem desperdício de material. A gente guarda tudo. O protótipo foi feito com tudo que tínhamos aqui dentro. Sabíamos desde o início que o dinheiro estava reduzido, que não haveria patrocínio. Então pensamos em um carnaval mais barato, mas sem perder a qualidade. Está mais bonito e com mais qualidade do que o desfile da Suiça. Porém, a um custo muito menor.

De uns tempos para cá, as escolas têm fugido do tradicional para posicionar seu homenageado no desfile. A pergunta que não quer calar: onde vem o Miguel?

Já passou tanta coisa na nossa cabeça… já pensamos em tanto lugar… isso é segredo, vocês saberão no dia!

 

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