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Críticas ao prefeito na inauguração da exposição de Leandro Vieira

14 de junho de 2017
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Críticas ao prefeito na inauguração da exposição de Leandro Vieira

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Um dia após o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, ter anunciado o corte pela metade – de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão – na verba destinada pela prefeitura a cada uma das escolas de samba do Grupo Especial, a arte que se vê anualmente na Sapucaí tomou um novo e inédito espaço. No dia de Santo Antônio, o desfile da Estação Primeira de Mangueira, sob o enredo “Só com a Ajuda do Santo”, saiu dos barracões da Cidade do Samba e ganhou uma das galerias do Paço Imperial, na Praça XV, no Rio de Janeiro. A inauguração da exposição recebeu várias personalidades do samba – de dirigentes e integrantes da verde e rosa até carnavalescos como Renato Lage, Rosa Magalhães e Mauro Quintaes.

“Acho que o Carnaval é arte oficial e pode estar no Paço [Imperial] exposto de maneira digna. O Carnaval é arte, e acho que isso é importante”, declarou o carnavalesco da Mangueira e curador da exposição, Leandro Vieira. “Essa exposição é debruçada em cima do meu processo criativo. A ideia é mostrar esse bastidor. mostrar que existe uma produção artística. As pessoas conhecem muito o desfile, a festa, o produto televisionado; e conhecem pouco esse aspecto da festa de produção da ópera popular, como Fernando Pamplona falava muito”, explicou o carnavalesco.

Sobre a decisão do prefeito do Rio de reduzir pela metade os investimentos da prefeitura nas escolas de samba – e remanejá-los para creches –, Leandro definiu que Crivella não entende de Carnaval e que, além de não entender, o prefeito tem uma visão equivocada sobre a realidade do Carnaval carioca: “Eu tenho muita pena desse pensamento do prefeito. Na verdade, o prefeito tem tido um comportamento que demonstra que ele não entende absolutamente nada de Carnaval. O pensamento dele sobre o Carnaval carioca, sobre o desfile das escolas de samba, é um equívoco. Porque ele não olha para o desfile com o olhar de administrador”.

Aproveitando a ocasião, o carnavalesco fez um convite ao prefeito: “O carnaval rende quase 300 mil empregos indiretos, é uma produção que começa em maio, é um ano inteiro fazendo carnaval. E aproveito para convidar o Marcelo Crivella para vir aqui na Exposição para aprender um pouco do que é carnaval”. A exposição Bastidores da Criação – Arte Aplicada ao Carnaval já está disponível ao público e ficará aberta até o dia 20 de agosto, no Paço Imperial, na Praça XV, no Rio de Janeiro.

Liga espera posicionamento oficial do prefeito

O presidente da Mangueira, Chiquinho da Mangueira, e o diretor de Carnaval da Liesa, Elmo José dos Santos, ambos presentes na abertura da exposição no Paço Imperial, afirmaram que uma reunião com o prefeito Marcelo Crivella estava marcada para esta segunda-feira (12), mas que o próprio prefeito desmarcou o compromisso. Ambos os dirigentes destacaram que, na ocasião de sua candidatura, Crivella prometeu em uma plenária da Liga, que teve o áudio registrado em gravação, que não só manteria como aumentaria a subvenção da prefeitura para as escolas de samba.

“Eu só vou acreditar nessa história no dia em que ele receber os presidentes das escolas de samba. Quero estar de frente pra ele, porque na campanha ele foi lá na Liesa e assumiu um compromisso público – está gravado – de que se ele ganhasse a eleição, ele ia melhorar a subvenção. Apesar de ele ser de um segmento religioso que não combina com o carnaval, acho que ele tem que separar e reconhecer, como prefeito, que o carnaval é a maior festa popular do mundo. Acho que isso é uma maldade, uma crueldade com o maior patrimônio que essa cidade tem. E depois, mais cruel ainda, é dizer que esse dinheiro vai ser investido em alimentação nas creches. Isso aí é uma tremenda demagogia”, declarou Chiquinho, que completou: “Se ele manter essa atitude, não vai ter desfile. A Mangueira não desfila”.

Chiquinho ressaltou que a Prefeitura recebe dinheiro específico do Governo Federal, através do Ministério da Educação, para investimento nas creches e que, além disso, 12% do orçamento de arrecadação da Prefeitura tem que ser investido em educação. “Essa conta não bate. Ele quis jogar a opinião pública contra as escolas de samba, como quem diz: ‘vou tirar de vocês, mas vou dar pra quem está passando fome ou está precisando’”, declarou.

O diretor de Carnaval da Liesa, Elmo José dos Santos, afirmou que a entidade não desistirá de buscar acordo com a Prefeitura. “A Liga está querendo diálogo. Estamos tentando marcar uma reunião com o prefeito. Ele desmarcou na segunda-feira, e nós esperamos que ele remarque”.

Também presente na exposição, a secretária de Cultura Nilcemar Nogueira declarou que, embora fosse de sua vontade que a pasta estivesse envolvida com o Carnaval, esta competência hoje está especificamente com a Riotur. A secretária declarou que há um momento de austeridade em que “temos que nos dar as mãos e rever todo o processo de construção”. Questionada sobre a afirmativa de várias escolas de que não conseguirão desfilar caso haja a redução nas verbas, Nilcemar declarou: “Elas não desfilarão se elas não quiserem. Deixo aqui uma fala enquanto secretária de Cultura, e pensando o samba enquanto uma forma de expressão: Essa expressão está nos corpos. E não na cenografia”.

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