Delírios em Foco
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Hoje é dia de ALEGRILHA

27 de janeiro de 2017
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Hoje é dia de ALEGRILHA

WIGDER FROTA

wigder-frotaUnião da Ilha do Governador, a escola irreverente, alegre, simpática, tricolor, que nunca ganhou o carnaval, mas conquistou o coração de todos os foliões. Quem não gosta da União da Ilha? Não conheço um…

Quando penso na Ilha, minha memória viaja aos anos 70 quando ela caiu no gosto popular com seus carnavais irreverentes, alegres, a cara do nosso povo, do nosso País, enredos que marcaram minha adolescência. Lembro de “Domingo”, de “O amanhã”, “O que será”, “Bom, bonito e barato”, “É hoje”… Lembro da voz incomparável do saudoso Aroldo Melodia, ah, que voz!

Essa é a escola em que mais brinquei carnaval, além da minha Mocidade Independente, no meu período de folião apaixonado, desfilando no Sambódromo. Foram momentos inesquecíveis e delirantes: comissão de frente no “Extra,Extra”, pavão no “Sonhar com Rei dá João”, mágico do “Abrakadabra”, mago na “Viagem da Pintada Encantada”, índio no espetacular e explosivo “Aquarilha do Brasil”, um dos desfiles mais alegres que já passaram pela Sapucaí.

Em seus carnavais recentes, não posso deixar de registrar dois momentos inesquecíveis:
– Primeiro, em 2010, quando retornou ao Grupo Especial com “Dom Quixote de La Mancha”, de Rosa Magalhães. Além de um desfile magnífico, que muito me emocionou, tive o privilégio de assistir a alegria de seus componentes, muitos chorando, ao cantar “A União voltou”.
– Segundo, o magnífico “O mistério da vida”, em 2011, o ano do incêndio, quando a Ilha fez o desfile mais bonito da sua história.

Todas as vezes que penso no termo “brincar carnaval” lembro da União da Ilha e seus componentes. O Insulano tem energia diferente, está sempre feliz, sempre brincando, se divertindo, não importa o figurino, samba ou enredo. Ele é contagiante e faz questão de sempre mostrar que a sua escola é a rainha da alegria.

Por estes e tantos outros motivos, minha homenagem desta semana é para a Escola da Alegria, União da Ilha do Governador.

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DECLARAÇÕES:

“Como costumo dizer, em muitos casos, a gente não escolhe uma escola de samba e, sim, é escolhido por ela. Sou de família imperiana, mas, desde o momento em que o bebê de um ano e oito meses parou de perturbar a mãe e se esbaldou ao ver “Domingo” na televisão, seu coração não teve outro caminho a não ser amar profundamente aquele pavilhão azul, vermelho e branco.
Nosso samba exaltação diz que a União da Ilha nos ensina ser sambista. E posso assinar embaixo. Aprendi muito convivendo naquele terreiro mágico, que nos legou tantos sambas e sambistas imortais. Nos anos em que lá militei, com a escola no Grupo de Acesso, tive a verdadeira noção do desafio que está por trás de colocar uma agremiação na avenida. Vivi momentos inesquecíveis – muitos felizes, alguns nem tantos. Com o passar do tempo, acabei alçando outros voos em minha vida. Mas a certeza é uma só: de que esse amor só se renova a cada vez que vejo a escola na avenida. Meus olhos se enchem de lágrimas e eu volto a ser criança, nem que seja por pouco mais de uma hora.”
(Anderson Baltar – Torcedor, jornalista, sócio-proprietário, ex-diretor cultural da escola e um dos autores de “As Primas Sapecas do Samba”, livro biográfico da escola)

“Uma bicicleta boa, bonita e barata. Um descompromissado menino caçava pipas que bailavam pelo ar. Pedalou até longe. Perdeu-se nos confins da Ilha. Era um quente verão aquele de 1982.
Guiado por sons de festa, encontrou-se. Encostou a bicicleta no muro de chapisco e pousou as pipas no chão de barro. Sentou-se para ouvir batuques e cantos de um samba que chamavam de É Hoje. Foi arrebatador. Para sempre. Quando seus pais o acharam, o menino já era torcedor da União. Desde então, nada mais sou que um brincalhão lúdico. Por natureza, um descontraído debochado. Um despreocupado festeiro, por teimosia. Carioca nato. Tenho em mim a alegria que atravessou o mar.”
(Delmo Meireles – Torcedor)

“Eu sou União da Ilha, mas quem não é?!?! Quem não se emociona ao ouvir ‘É HOJE’? Ao entrar na quadra e ser recebida com sorrisos e abraços? Quem nunca chorou ao deixar de desfilar e ver sua escola passar linda sob a sutileza de um amanhecer?
Inesquecível, ver o sol raiando sobre sua família na avenida. Sim, estavam todos lá: pai, mãe, tios… depois de noites em claro, montando fantasias e alegorias, tudo valeu a pena, mesmo sem ter levado o campeonato, valeu! Então chegou minha vez, tanta emoção e expectativa não cabia em meu peito insulano. Passou rápido, deu vontade de voltar. E voltei, e voltarei sempre, a cada ano, a cada toque do repique, eu estarei lá.”
(Solange Rolszt – Torcedora, filha de fundadores, sócia-proprietária, moderadora da página “Eu sou União da Ilha, mas quem não é”)

“Diga espelho meu, se há na avenida alguém mais feliz que eu.
Cantando esse verso, antes da construção do Sambódromo, cercado por um paredão de gente que cantava o samba comigo, essa foi minha estreia desfilando pela União da Ilha.
Como não ficar apaixonado por uma escola que trás consigo a alegria e o colorido do espírito carioca.
Desfilo com garra, suor, choro e principalmente muito arrepio! É uma emoção e paixão que transcende o corpo e respalda na alma! Amo desfilar, amo minha escola!
É uma eterna certeza do trecho que para mim se transformou em um hino:
É hoje o dia da alegria e a tristeza nem pode pensar em chegar.”
(Fernando Miranda Guedes – Torcedor, sócio, ex-diretor cultural e ex-chefe de ala)

“Tenho um orgulho enorme em confessar que atravesso o mar e desembarco na Marquês de Sapucaí, contagiada pela alegria da minha escola de samba. E para quem pensa que essa paixão pela azul, vermelha e branca começou somente no desfile de “Assombrações” (no qual integrei a extinta ala de baianinhas da agremiação), não faz ideia de que além de nascida no bairro do Cacuia, fui embalada ao ritmo de muito samba pelos meus pais, que moravam na rua transversal à antiga quadra. Tantos anos se passaram após o pedido do presente de uma debutante, que não queria mais viajar durante a folia carioca, e sim, passar o carnaval na Cidade Maravilhosa. Foram tantos enredos com obras antológicas, disputas acirradas na atual sede (a qual costumo chamar de minha segunda casa a partir do mês de agosto), tantas fantasias apresentadas em tantas alas percorridas, muito choro de emoção em pisar na avenida a cada ano e uma ansiedade absurda em cada quesito apurado. Sem pestanejar, posso afirmar que a tricolor insulana faz parte da minha essência em diversas fases da vida, e se faz presente no meu cotidiano. O tão almejado campeonato pode não ter pintado ainda, mas o hino de 1982 foi tocado na minha colação de grau, e é executado com louvor em todo tipo de festa pelo país afora. Tão querida, que só faz aumentar o amor pelo pavilhão e a chama acesa em meu coração a cada entrada na passarela.”
(Silvana Aleixo – Torcedora, sócia, compositora, moderadora da página “Eu sou União da Ilha, mas quem não é”)

“Nascido e criado na Ilha, minha relação com a agremiação começou em 1997 como componente da escola. O carinho despertando pela União da Ilha e meu ingresso na Escola de Belas Artes em 1998, foram de fato o mergulho para o carnaval. Com o carnavalesco Milton Cunha, aprendi a respeitar setores da escola, principalmente com a Velha Guarda, Tia Noêmia e seu olhar carinhoso e atenção de avó.
Com Milton foram 2 anos, emoção, aprendizado, incêndio e enchente. Com Paulo Menezes, já no grupo de Acesso, desfilei como componente da Comissão de Frente, junto a coreógrafa Luciana Yegros.
Hoje ainda recordo de vários momentos inesquecíveis, um admirador da agremiação do bairro onde nasci, local de manifestação de nossa cultura, escola onde minha vida profissional e meus estudos de carnaval deram início.”
(Carlos Carvalho – Torcedor e carnavalesco)

“Azul, vermelho e branco não são apenas as cores da minha escola querida, são as cores da minha infância, da minha historia e da minha vida. Nasci entre paetês e purpurinas, tendo o barracão por anos no meu quintal, onde eu podia acompanhar da janela a mágica transformação de ferro, papelão e isopor em alegorias extraordinárias.
Cresci, e a Ilha também, minha escola agora é grandiosa. Hoje a União da Ilha representa uma comunidade apaixonada, dedicada e incansável, que batalha o ano todo para apresentar seu melhor carnaval, e tem como resultado uma explosão apoteótica de felicidade. Felicidade esta estampada no sorriso de cada componente durante o desfile.
Comigo não é diferente, canto, grito, choro… sou apenas mais uma insulana apaixonada… e somos muitos!
Na Ilha, no Rio, no mundo! Somos União da Ilha, mas quem não é?!”
(Leila Taufie – Torcedora, sócia-proprietária e ex-dirigente da escola)

“Não tive como fugir desse amor. Apesar de ser de uma família de portelenses, fui influenciado por uma tia que morava no bairro do Cacuia, na Ilha do Governador e, sempre que ela podia, me levava para a batucada da União.
Os sambas eram mais alegres e a escola a mais colorida… e assim me apaixonei.
Tenho muito orgulho de fazer parte da história da União da Ilha do Governador.”
(Cristiano Morato – Primeiro destaque da escola)

“A alegria de ver a Ilha desfilar é de transbordar o coração!! Foi um momento inesquecível ver, no seu retorno ao Grupo Especial, a arquibancada enlouquecida cantando: “A União voltou”!!!?
Eu não sabia para onde olhar: se para o desfile da escola ou para o alto e participar da alegria da arquibancada!”
(Iolanda Cunha – Torcedora)

“Meu encantamento pela União da Ilha do Governador começou com uma espécie de sonho infantil. Era um menino de sete anos, que ouvia falar de carnaval em dois momentos: quando meu tio falava das escolas de samba que, para mim, pareciam cenário de uma conto juvenil; nos festejos de fim de ano quando o vinil das agremiações batia ponto sem falha lá em casa.
E tanto foi assim que meu velho e hoje saudoso tio me levou à quadra da União da Ilha. Era a velha sede, muito antes da reforma que a transformou em uma boa casa de shows da cidade.
Aquele ambiente, aquela gente… A teoria da reencarnação hoje me faz entender que já fazia parte daquele mundo. O carinho virou amor. Incondicional. Um amor um tanto platônico, confesso, já que, ao longo dos anos, acabei por não me envolver com a União como eu poderia e até deveria.
Por isso, até hoje guardo no meu coração o desfile de 2003. Naquele épico desfile, na Série A, dei talvez a minha única contribuição à escola. A Tricolor passava com o inesquecível enredo em homenagem a Maria Clara Machado. Uma das alegorias representava um circo, que era “puxado” por dois elefantes africanos. Na armação, um problema de acoplagem fez com que o circo entrasse na avenida órfão das esculturas que o compunham.
Até aí, tudo bem. Até o momento em que percebi que os empurradores colocariam os elefantes na área de desfile, desacoplados. Aquilo representaria perda de pontos, pois a escola se apresentaria com número de alegorias além do máximo permitido. Tive uma reação instintiva. Me coloquei em cima da linha de início de desfile, tal e qual um Cristo Redentor. Gritei avisando que os elefantes não poderia entrar. Um bendito diretor entendei o recado e mandou os elefantes ficarem na armação (por sorte, a Ilha era a ultima a desfilar e foi possível empurrar os elefantes para o primeiro box da bateria.
Tive a certeza de que havia salvo a Ilha que, aclamada pela opinião pública, saiu da avenida como campeã.
Não deu. Se não me engano, terminamos num inesperado segundo lugar. Mesmo assim, alguém observou aquela manifestação de paixão. Dias depois, recebi um telefonema me convidando para a festa de aniversário da escola. Eu seria homenageado por tudo aquilo. Até hoje, guardo aquele prêmio. Mas não era necessário. O prêmio maior estava guardado para sempre no coração: eu havia feito algo de útil para a minha escola.”
(Fred Soares – Torcedor e jornalista)

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