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Império e Tuiuti no páreo

7 de fevereiro de 2016
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Império e Tuiuti no páreo

ANY COMETTI E FRED SOARES

Na segunda noite de desfiles da Série A, os grandes destaques foram o Império Serrano e o Paraíso do Tuiuti. As duas escolas foram as que fizeram os desfiles mais completos e deverão disputar o campeonato juntamente com a Unidos do Viradouro, que foi a escola que mais se destacou no desfile de sexta-feira. Saiba como desfilou cada escola:

UNIÃO DO PARQUE CURICICA

União do Parque Curicica - Foto Tata Barreto - RioturPrimeira escola a pisar na Sapucaí neste sábado, a União do Parque Curicica sentiu o desfalque do terceiro carro. Na curva da avenida, um susto: uma das últimas rodas cenográficas, do lado ímpar do abre-alas, quebrou, o que fez com que o carro tivesse um super aquecimento e passasse por toda a avenida com um forte cheiro de queimado.

A comissão de frente e o primeiro casal foram aplaudidos pelo público, bem como a bateria, que foi muito reverenciada pelo jurado desse quesito. Apesar disso, a escola deixou a desejar quanto ao canto – era possível ver componentes que não conseguiam cantar o samba.

Após o segundo carro, algumas alas apresentaram problemas nas fantasias, que perderam partes e soltaram as costuras. A escola fechou seu desfile aos 54 minutos.

PARAÍSO DO TUIUTI

Paraíso do Tuiuti - Foto Alexandre Macieira - RioturO tema do Paraíso do Tuiuti já se desenhava fortíssimo antes mesmo de chegar na Avenida. Aqui, ele só confirmou a expectativa e foi o cenário para uma brilhante apresentação da escola de São Cristóvão.

A história de um boi que, graças a um beato, teve para si atribuído o milagre de ter feito chover no interior do Ceará e, por isso, no fim das contas, foi sacrificado, acabou desenvolvido com volume, beleza, clareza e extrema garra por parte dos componentes.

Esta gana, diga-se de passagem, muito motivada pela força do samba, que se mostrou muito funcional para a defesa dos quesitos técnicos, mas sem perder a beleza poética e, principalmente, melódica.

INOCENTES DE BELFORD ROXO

Inocentes de Belford Roxo - Foto Alexandre Macieira - RioturCom 53 minutos desde o sinal verde, a Inocentes de Belford Roxo encerrou seu desfile em homenagem ao cineasta Cacá Diegues sem grandes erros, mas também sem empolgar o público. A própria escola pouco cantava o samba (com exceção para a ala de passistas, é bom registrar) que não levantou o público, nem pode ser ouvido com clareza, durante as paradas da bateria.

Além disso, o desfile provou mais uma vez que se deve usar a tecnologia com cautela. Foi possível perceber algumas falhas na fita de led que iluminavam o primeiro e o segundo carros – uma delas chegou a apagar a primeira letra R do letreiro Caravana Rolidey.

Destaque positivo para a comissão de frente, que representava a infância de Cacá Diegues. Uma criança munida de um alto falante interagia com bailarinos vestidos de lanterninhas, que em determinado momento montavam uma tela, semelhante a de cinema, por onde entrava o menino e saía o diretor.

Além disso, no primeiro carro, foliões fantasiados de câmera-men interagiam com o público e outros componentes do carro simulavam uma verdadeira sessão de cinema, com direito até mesmo a guerra de pipoca.

IMPÉRIO SERRANO

Império Serrano - Foto Tata Barreto - RioturO personagem principal era Silas de Oliveira. Mas a imagem dele só foi vista
numa foto em preto e branco na parte de trás da última alegoria. Ele apareceu de uma outra forma: na beleza e singeleza com que o seu Império Serrano se apresentou nesta madrugada na Sapucaí.

Em quatro setores, o Império foi da África – de onde surgiram costumes e crenças até hoje praticados pelo povo da Serrinha – até o baile charme e o Mercadão de Madureira. Tudo com belas sacadas de fantasias e alegorias bastante suntuosas.

O samba, que havia sido motivo de discussão no período pré-carnaval, cresceu substancialmente de qualidade. Graças, principalmente, a um fator: a bateria. O ritmo, que no ensaio técnico beirava o arrastamento, teve seu andamento acelerado, valorizando a melodia e, consequentemente, o canto.

CAPRICHOSOS DE PILARES

Caprichosos de Pilares - Foto Gabriel Santos - RioturApós uma conturbada concentração, a Caprichosos de Pilares cruzou a primeira linha amarela da Sapucaí sob reiterados pedidos para que os componentes acreditassem na escola.

A azul e branca, que fez uma homenagem aos estrangeiros que fizeram história no Brasil, começou retratando Hans Donner e sua Globeleza na comissão de frente e terminou com o jogador de futebol Petkovic como destaque de seu último carro.

No caminho entre um e outro, muitas fantasias incompletas; foliões com roupas comuns e de diferentes estampas aparentes; chinelos, tênis e sapatilhas de todos os tipos; carros com ferragens expostas, dando a sensação de falta de acabamento e até mesmo de esculturas ou queijos.

A tragédia foi finalizada pelo desfile com a quantidade menor de baianas do que preconiza o regulamento, pela falta de 10 alas e pelo excedente de 4 minutos no tempo limite de desfile.

UNIDOS DE PADRE MIGUEL

Unidos de Padre Miguel - Foto Tata Barreto - RioturA Unidos de Padre Miguel, novamente – como, aliás, já vem virando tradição – deu mais um espetáculo de bom gosto quando o assunto é o conjunto visual.

O enredo sobre a história dos impostos desde os tempos do Brasil colônia atingiu quase a perfeição em seu desenvolvimento. O início, bem pesado, retratou muito bem o descobrimento do Brasil e toda questão do extrativismo desenfreado, que gerou a primeira fonte de impostos da Metrópole.

O toque de bom humor, que de certa forma se esperava em todo o cortejo, ficou mais destacado para os dois setores finais da escola, nos quais, pela leveza das roupas, o desempenho da escola cresceu de produção.

Nos quesitos técnicos, a escola deixou a desejar. A bateria não foi o ponto forte da vermelho e branco e o samba não impulsionou, como em outras escolas, o entusiasmo dos componentes.

ACADÊMICOS DO CUBANGO

Acadêmicos do Cubango - Foto Tata Barreto - RioturO Cubango passou com uma temperatura média pela Sapucaí. Apesar do canto suficiente dos componentes, o público não reagiu ao desfile, senão à apresentação da comissão de frente e do primeiro casal da escola.

Os componentes evoluíram com alegria e a bateria de Mestre Maurão cumpriu bem seu papel. Os carros idealizados pelo carnavalesco Cid Carvalho estavam bem acabados e bastante coloridos. Mas faltou o algo a mais para posicionar o Cubango na briga pelo campeonato.

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