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Jorge Silveira: “Não vai faltar trabalho para a São Clemente fazer um grande Carnaval”

10 de março de 2017
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Jorge Silveira: “Não vai faltar trabalho para a São Clemente fazer um grande Carnaval”

Entrevista por ANDERSON BALTAR; edição de áudio: CHICO FROTA e edição de texto: LUISE CAMPOS

Em entrevista exclusiva à RÁDIO ARQUIBANCADA, o novo carnavalesco da São Clemente, Jorge Silveira, fala da expectativa para o Carnaval 2018 e dá pistas do que será o enredo “Academicamente Popular”, sobre os 200 anos da Escola de Belas Artes (EBA), da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Como foi a negociação de sua ida para a São Clemente?

Recebi uma ligação do presidente Renato, que perguntou se eu já havia fechado com alguma escola. Marcamos uma reunião e o que se deu, na verdade, foi um grande casamento. Ele esperava uma linguagem que trouxesse a atmosfera de alegria à escola depois da saída da carnavalesca Rosa Magalhães. Ele me apresentou todo o cenário da São Clemente e me garantiu plenas condições de desenvolvimento do meu trabalho, o que me deixou muito satisfeito. Eu estou absolutamente encantado.

Como você sente a responsabilidade de substituir a Rosa Magalhães?

É enorme. A Rosa é insubstituível. Vou empenhar para fazer um trabalho grandioso, com todos os elementos necessários que dizem respeito à grandeza do espetáculo. Para isso, escolhemos um enredo com densidade, levando o colorido e a alegria da São Clemente para dentro dos salões da Academia de Belas Artes. Estou, sobretudo, muito consciente dessa responsabilidade e vou trabalhar todos os dias da minha vida até lá para conseguir ser digno desta tarefa.

O que podemos conhecer do enredo que a São Clemente vai levar para o Carnaval de 2018?

Eu fui aluno da Escola de Belas Artes e, certa vez, recebi um informativo interno da UFRJ que trazia na capa a chamada “Academicamente Popular”. Ali, havia uma matéria que contava a relação do Pamplona e todos os artistas que saíram da EBA que foram levados por ele para o interior dos barracões das escolas de samba. Isso me marcou e, a partir de então, eu fiquei por oito anos estudando este tema e pesquisando no Museu de Belas Artes. Eu desenvolvi este enredo no Carnaval virtual, recebi muitos elogios, mas a ideia ficou guardada para o momento certo, que é agora. A escola completou 200 anos em agosto de 2016, mas penso que é preciso registrar, de qualquer forma, a data tão importante da principal escola de Belas Artes da América Latina, que definiu os conceitos da arte e da estética brasileira e desaguou na transformação do Carnaval no maior espetáculo da Terra através da influência dos conhecimentos acadêmicos dos profissionais que passaram por lá. Naturalmente, vamos fazer uma trajetória que vai desde a missão artística francesa até a chegada ao Carnaval, falando não somente de Rosa, mas de Pamplona, Maria Augusta e tantos artistas que se uniram esses dois mundos.

Sabemos que você tem muita experiência trabalhando em barracões do Grupo Especial auxiliando muitos carnavalescos de ponta, além da sua experiência em 2017 na Série A e vários carnavais em São Paulo. No entanto, trata-se de sua estreia na elite do Carnaval carioca. Qual será a diferença de planejamento no seu trabalho para este novo desafio?

Em primeiro lugar, sei que minha dedicação terá de ser em tempo integral a este projeto. Minha dedicação deverá ser muito maior do que em qualquer oportunidade anterior, devido à imensa quantidade de elementos que um desfile dessa dimensão tem. É em espetáculo extremamente complexo e eu vou propor a fazer um enredo de enorme densidade, em que a mesmo a dimensão do Grupo Especial, em número de alas e alegorias, é limitada para apresenta-lo por completo. Farei um trabalho de compilação dos pontos essenciais e traduzi-los com a mesma facilidade de leitura que meu trabalho na Viradouro e na Dragões da Real tiveram, que é uma marca que quero levar adiante. Quero me comunicar com o público e com os jurados de maneira clara. Meu trabalho agora é o de organizar esse grande espetáculo – e a São Clemente me dá todas as condições para fazê-lo. A Rosa deixa a São Clemente com uma estrutura gigantesca. Hoje a São Clemente é uma escola gigante, de um povo muito apaixonado, o que vai me ajudar profundamente no desenvolvimento deste trabalho.

Você chegou a ser aluno de Rosa Magalhães?

Nunca fui aluno dela diretamente. Mas no ano em que ela fez a Dragões da Real em São Paulo, ela fazia ao mesmo tempo a Mangueira. A escola, então, pediu que eu desenhasse as alegorias dela em São Paulo. Como eu era do Rio, ficava mais viável para mim ir até a casa da Rosa para receber orientações. E assim eu fiz. Fui nove ou dez vezes até sua casa e recebi delas as orientações sobre o que ela imaginava para o conjunto de alegorias da Dragões, fazia os carros alegóricos e apresentava a ela para aprovação. No ano seguinte, a Dragões da Real criou uma Comissão de Carnaval e eu fui incluído nela. Rosa Magalhães foi, então, minha madrinha duas vezes: naquela oportunidade, em São Paulo, quando me deu a oportunidade de servir a ela, e agora, novamente, pois soube que ela indicou o meu nome para substitui-la na São Clemente para o Carnaval 2018. Quero muito poder agradecer pessoalmente a grandeza desse ser humano incrível que é Rosa Magalhães.

Para finalizar, que mensagem você deixa para a nação clementiana?

Quero pedir licença com todo o respeito à nação clementiana para pisar o solo dessa escola e dizer que venho com muita energia, garra e vontade de acertar. Estou contando com o carinho e apoio de todos os torcedores para levar adiante o trabalho que a professora Rosa fez na São Clemente, para cada vez alçar a escola a voos mais altos. Quero fazer um enredo acadêmico com uma linguagem moderna, sob o olhar da juventude, mas com vontade de fincar raízes em elementos importantes da tradição. Quero dizer ao clementiano que não vai faltar trabalho e não vai faltar vontade. Vamos fazer de tudo para o melhor da São Clemente.

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