Alegria da Zona Sul
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Leia a sinopse da Alegria da Zona Sul

24 de abril de 2015
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Leia a sinopse da Alegria da Zona Sul

Justificativa

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Alegria da Zona Sul, orgulhosamente apresenta seu enredo para o Carnaval 2016.

Ogum, senhor das batalhas e da metalurgia. Rei de Irê. Aquele que é incansável, e que guarda o mundo em sua caminhada. Ogum, que veio d’África com a religiosidade de nossos ancestrais. Ogum sincretizado com a imagem de São Jorge. Símbolo de fé, fé que não deixa desistir.

Neste congraçamento entre homens e a força de um orixá, o samba curva-se diante da magnitude da narrativa lendária de uma das principais divindades do panteão religioso yorubá, e o saúda: “Patakori Ogum” – Salve o grande guerreiro, o mais venerado, dono de minha cabeça.

Ogum, senhor dos caminhos, através deste enredo formamos nossa prece. O Cantagalo, o Pavão e o Pavãozinho clamam a sua presença ao ressoar dos tambores vermelho e branco. Evocamos-te neste momento para abençoar as vozes da nossa gente guerreira, que nesta noite se espelha em sua figura na busca pela conquista deste carnaval.

Ogum! Senhor de nossa fé.

Ogum! É tua força que nos guia. 

Ogunhê! 

Canta o povo com Alegria!

 

Sinopse

Abençoado seja o berço da humanidade,

Gênese de divindade universal,

África de nossos ancestrais…

 

De onde ecoam as vozes que falam sobre o princípio das coisas. Quando tudo que havia abaixo do Orun era apenas um pântano, e os caminhos até aquele local eram fechados por densa mata.

Oduduá então mandou chamar seus filhos,

Ogum para os caminhos abrir,

Exu para os caminhos bem guardar,

E assim poder criar…

 

O Ayê, a terra firme. Matizando cores, inebriando os olhos. Surgiram animais, plantas, rios e os mares. Yemanjá, proveu a vida nas águas. Oxóssi ensinou a criar animais, caçar e plantar. Surgiram os primeiros seres humanos, que aprenderam com os deuses a dinâmica da vida.

 

E o Ayê despertou a curiosidade do guerreiro,

Ogum tinha pulsante liberdade na essência,

Espada na mão, ele pôs-se a caminhar…

 

Em suas andanças movidas pela curiosidade, Ogum descobriu a riqueza dos minerais que afloravam da terra. Compreendeu na natureza que o calor do fogo os aquecia, e transformava alguns em líquidos incandescentes, que ao se resfriarem tomavam forma do curso traçado no chão.

 

Era o surgimento do ferro no ventre da terra,

O advento sagrado da dobra dos metais,

A forja, metalurgia, ousadia, tecnologia…

 

Ogum criou uma grandiosa forja que era alimentada e soprada por sua esposa Yansã. Invenção admirada e repudiada nas mãos daquele que se tornou o primeiro ferreiro. Dessa forma foram produzidas as primeiras ferramentas de metal, inclusive as que eram utilizadas pelos orixás.

Apesar disso Ogum queria mais,

Caminhou por diversos lugares e conquistou reinos,

Guerreou, venceu, ratificou laços de amizade…

 

Por onde passava sua beligerância alimentava a fama que o tornou um grande conquistador. Oxaguiã, um jovem rei que ouvira falar de Ogum, passou a acompanha-lo por todos os cantos, pois admirava sua vontade de conquistar. Formaram grande amizade, e enquanto Ogum destruía na sua conquista, Oxaguiã reconstruía.

 

O bom coração também o guiava,

Salvou o povo de Elejigbô da fome e da morte,

Seu nome correu mundo, sua nobreza era respeitada…

 

Soberano, “Onirê”! Coroado com o “Alakorô”, o símbolo do senhor dos domínios do grande Reino de Irê. Vitorioso, Ogum desejava mais, deixou um dos seus filhos no trono e voltou a caminhar pelo mundo, reuniu um grande espólio de guerra. Reinos, escravos, riquezas incontáveis.

 

Saudoso, Ogum decide retornar para Irê,

Quando chegou havia silêncio total,

Contrariado derrama sua ira sobre o reino…

 

Quando descobriu que o silêncio eram votos pelo seu retorno em perfeito estado, Ogum decidiu que era chegado o tempo de baixar as armas e descansar. Desta forma, fincou a espada na terra e nela sumiu. Ogum então retornou para o Orun.

 

Sua gente e seus filhos aqui ficaram,

Ogum não fora esquecido,

Sua imagem e feitos viraram crença…

 

Eternizada nos ritos que o celebram, e que vieram para o Brasil durante a diáspora humana dos povos d’África. Em senzalas, quilombos e fundos de quintais, a reunião dos negros para praticar seus costumes religiosos promoveu a fundação religiosa do Candomblé.

Mesmo proibida e perseguida, a fé foi mantida,

Bravamente os rituais resistiram ao tempo,

Até que os tambores ressoaram com liberdade…

 

Louvando o panteão das deidades ancestrais chamadas Orixás. O “Ajudun” marca o grande festejo que reúne o povo de santo nos terreiros. É o chamado para mais uma vez estar na presença dos deuses.

 

E o ritual pra louvar Ogum é feito com todo carinho,

Feijão preto no dendê e inhame ofertados,

Mariwô desfiado pras suas vestes,

Folhas pra trazer axé…

 

Ao Xirê, momento de evocação das divindades. Quando o toque dos tambores ressoa o “Adarrum”, é clamada a presença de Ogum entre seus devotos. Cânticos entoados, reverências feitas: “Ogunhê” – “Patakori Ogum”, saudando o poderoso deus, que está mais uma vez entre os seres humanos.

 

E na luz da fé que sincretizou imagens e ritos,

Ogum é São Jorge e São Jorge é Ogum,

Devoção que se fez religião…

 

Esteio de nossa gente, que crê no orixá e no santo ao mesmo tempo. Fé que se transforma força para enfrentar as adversidades impostas pela vida. Fé que ilumina. Fé que guia essa gente guerreira.

 

Que traz nas veias a bravura pulsante,

No olhar a vontade de vencer,

Na voz a força…

 

Que exalta a divindade em noite de magia,

Ogum abençoa, guarda e guia,

Canta o povo com Alegria!

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