Carnaval 2015
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Leia a sinopse da Portela

24 de maio de 2014
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Leia a sinopse da Portela

Enredo: ImaginaRio, 450 Janeiros de Uma Cidade Surreal

Autor: Alexandre Louzada (carnavalesco)
Colaboração: Luiz Carlos Bruno (diretor de carnaval)

Rio, hoje meu samba se reveste do mundo azul que teu céu empresta à Majestade do Samba, que em sua fugaz realeza foge à realidade e, na “surrealeza” de sua beleza, te faz a festa.

Num olhar dito louco e transgressor, te ergo aqui um monumento aos seus 450 janeiros, que distorcem o tempo e dissolvem as duas realidades afastadas para fundir-se em um sonho febril, como visão de “Dali” e outros tantos que, na absurda plasticidade das cores e formas, reinventam seus encantos mil.

Eu, artista de trinta carnavais, vividos entre devaneios e verdades, criei sonhos e vesti teu povo de plumas e paêtes, iludindo os olhos estrangeiros que se encantam com a sua maior festa, sem perceberem que ès feito de antagonismos que me inspira a olhar-te com o meu tempo, entendendo o seu, pelo tempo de Deus.

Usando seus curvos e distorcidos cenários, interpreto e retrato a ti e a teu povo, diverso e plural, que te faz cidade surreal, hoje expressa em arte neste carnaval. Para isso, em desfaço de laços, refaço meu traço, me solto em teu espaço e, como um “salvador daqui”, recrio suas linhas pela visão da arte de tantos, pois és cria de Deus e tens fome da arte do Homem.

És a feliz Cidade Maravilhosa, repleta de encantos que são espantos da criação, da imagem provocante e criativda e da arte que sustenta a vida, quando as mãos mais abusivas tentam te imitar em vão. És a viagem convidativa, que hora se refaz e se reconstrói, nas asas da imaginação do lúdico fértil e gentil, onde hoje imagina, Rio, a minha “águia redentora”, num abraço de asas acolhedora que te faz abrir imenso o coração do meu Brasil.

És o Rio que surge de um declínio, que nunca foi foz ou desemboco de rio algum, convergindo fantasias desde o branco olhar distante no tempo, surgido das ondas, ungido do desconhecido, dos bravos, dos reinos de além mar. Foste o palco de disputas e conquistas, um caldeirão de culturas a se mesclar enfim, nos contornos do desenho sensual das curvas de sua geografia, como corpo de mulher de fartos seios a debruçar-se assim, sobre o mar, no abraço plácido de sua bela Guanabara.

És o verde que esbanja o viço da tenra juventude, que se retorcendo entre o azul serpenteia o olhar à mata que entra pelo mar, és “jardim das delícias”, éden de sua plenitude, que às vezes se disfarça em canteiros, legados de Dom João, na terra em que tudo dá, portal a espelhar suas florestas e a envolver como moldura os recortes dos teus rochedos, sua natural escultura, onde o sol vem repousar.

És, de fato, o cartão postal de todo um país, paisagem abençoaa pelos trópicos, de relevos imprevisíveis feito notas musicais, que acalantam e inspiram a criatividade de seu povo, a refazer o compasao em uma nova divisão, traduzindo suas curvas que entram pelo “balanço de seu mar”. És tempero puro de sal e sol, a têmpera de jeitos e trejeitos ao tempo que passa, com graça de não passar, és sempre jovem no que esboça, a “bossa” nova de cantar, as suas sereias morenas, as princesas do seu mar, que “continua lindo”, “continua sendo” assim a desfilar, do “Leme ao Pontal”, de “maravilha de beleza e do caos”, de garotas de Ipanema, de meninos do Rio, de seus 40 graus.

És a vida fervilhante, que vai e vem, entra e sai, atravessando os montes ao monte de coisas por ver, no atraente paraíso que revela as faces do pecado e do prazer, de suas noites boêmias sobre os teus tantos arcos, Lapa que abriga segredos múltiplos de sabores, de cores e de tons. És a catedral da luxúria, a serpente tentação que nos induz ao sonho, nos conduz à dança das ilusões, na sedução que lança o brilho dos seus neons.

És num momento à parte, um mundo em seu próprio universo, que gira, que rola com ginga e malícia, na magia que joga e inocente se lança ao espaço ao panteão dos deuses, o palco do absurdo, o templo do futebol, Maracanã, ès nave mãe do planeta bola, de teus fiéis, da crença e paixão, abduzidos de êxtase, o rio de contrastes, que passa e que atravessa a realidade da vida com sua alegria de viver.

És um anfiteatro das artes que gera, em cada canto dos seus recantos montanhosos, eventos que te montam irreal. Invertes a valorizada vista altiva para o descanso de tuas favelas encontrarem a cidade no asfalto, pois és imaginada em cores, formas e vida e acima de tudo, ès o samba de todos, cantado pelo sangue azul da Portela, que dentro de teu tempo festivo, meu Rio, comemora ainda a vida vivida da arte de um princípe “da Viola”. Hoje, o samba que ouves, e festeja com a fome de saborearmos tua arte de ser, receber e inspirar. Aplausos aos teus quatrocentos e cinquenta janeiros, criada cidade de Deus aonde até teu filho veio morar e pra sempre te abraçar. Parabéns a você e a todos nós, por sermos tão criativos em vivermos em ti, feliz cidade surreal.

Com amor: Alexandre Louzada

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