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Mocidade na briga pelo título

30 de janeiro de 2015
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Mocidade na briga pelo título

ANDERSON BALTAR

Integrante da nova administração da Mocidade Independente de Padre Miguel, o porta-voz da escola, Rodrigo Pacheco, em entrevista exclusiva, dá um panorama sobre a preparação da escola para o desfile. Com o projeto de carnaval praticamente concluído, a estrela guia aposta na inventividade e talento do carnavalesco Paulo Barros e na empolgação da comunidade para voltar ao topo do pódio. Confira.

 

rodrigopachecoVocês assumiram a escola a 23 dias do carnaval passado. Agora, após um processo inteiro de preparação de carnaval, como vem a Mocidade?

No ano passado, foi uma correria. Chegamos sem saber praticamente nada da situação da escola, já que não havia histórico de nada registrado no barracão. Graças aos fornecedores, amigos da escola e componentes, conseguimos fazer um desfile digno, que nos colocou no sorteio. Infelizmente, não conseguimos voltar nas campeãs, mas sabíamos que seria difícil. Praticamente não questionamos nada das notas do ano passado, já que tivemos erros, inevitáveis pela correria. Assim que acabou o carnaval, começou o trabalho. Não tivemos férias. Fizemos uma faxina no barracão, preparamos uma nova estrutura, mais confortável, para os ateliês. Focamos numa maior qualidade para os funcionários. Num segundo momento, fizemos um levantamento de despesas e receitas, a partir de relatórios que tivemos que refazer. Fizemos um bom projeto de captação de recursos e atraímos parceiros que estão contribuindo. Nosso carnaval será bem diferente e a estrutura administrativa hoje é igual a de uma grande empresa.  Conseguimos reativar a nossa quadra e a transformamos em point, trazendo grande artistas que há muito tempo não vinham à Zona Oeste ou que nunca tinham vindo, com Lulu Santos, Capital Inicial e O Rappa.  A ideia é fazer com que novas pessoas venham à nossa quadra e gerar receitas, que são muito importantes para o nosso trabalho. Hoje, tocamos nosso trabalho com o que arrecadamos.

 

A Mocidade, apesar da figura do patrono, está criando uma estrutura para ser independente. É isso?

Exatamente. O patrono nada mais é do que um torcedor apaixonado, que veio para somar. Na verdade, quem assumiu a escola foi um grupo. Todas as decisões são tomadas em grupo. E viemos para implantar uma visão empresarial. Cada um contribui de sua maneira. O presidente de honra veio para somar, mas não existe essa dependência. Hoje existe um trabalho que procura parcerias. Por exemplo, quando resolvemos contratar o Paulo Barros, vimos que seria possível atrair parceiros, já que ele é o carnavalesco mais popular do momento. Essa mesma busca por parcerias foi o que nos fez trazer a Claudia Leitte para a bateria.

 

O que vocês buscaram com a Claudia Leitte?

A Mocidade sempre teve a característica da inovação, de lançar alguém que foge do costumeiro. Tentamos resgatar a Mocidade lá de trás. Foi assim com a Monique Evans, por exemplo. Tínhamos um certo receio da comunidade não aceitar, mas ela foi recebida de braços abertos e vestiu a camisa. Com isso, chegaram mais parcerias e foi  muito positivo para a escola. Dentro de uma estrutura comercial, nada como uma boa ação de marketing.  Só para você ter uma ideia do retorno de nosso trabalho, já temos seis propostas de enredo patrocinado para 2016.

 

Então podemos dizer que, em 2016, a Mocidade terá um enredo patrocinado?

Provavelmente, sim. Obviamente, escolheremos um enredo que nos possibilite fazer um carnaval para ser campeão. Afinal, neste ano, temos um enredo autoral e estamos com parcerias que estão permitindo fazer um grande carnaval.  Mas as chances de termos patrocínio são muito grandes.

Como está o contingente da escola?

Buscamos um enxugamento, com redução de alas. Temos atualmente 10 alas comerciais, mas com quase todas as fantasias já vendidas. Nossas fantasias estão com um visual bastante inovador, com materiais diferentes. E muita gente está nos procurando para comprar fantasias por conta do momento histórico da escola. As alas de comunidade já fecharam em dois meses e temos 500 pessoas na fila de espera. Estamos ensaiando muito o canto e a evolução da escola. Afinal, não é só a organização que ganha o carnaval. É apenas o suporte para um grande desfile. Compramos instrumentos para resgatar a sonoridade dos tempos do Mestre André. Os surdos, que eram pequenos, agora são de 26 polegadas. As caixas são de 16 polegadas, ao invés das de 14.

Em que pé está o projeto da construção da pista própria para ensaios?

A pista tem a mesma largura da Sapucaí e mede 350 metros. Vai nos permitir ensaiar manobras com a bateria e a cronometragem entre os módulos de julgamento. Já conseguimos a terraplanagem do terreno. E já conseguimos pó de pedra para nivelar. Estamos na segunda parte, que  é a da concretagem e pavimentação e já estamos conversando com duas empreiteiras. Queremos construir arquibancadas móveis. Estamos terminando conversas com parceiros, que ficaram de ajudar.  Certamente, no próximo ano, já teremos essa pista montada para os ensaios.

Sendo realista: o objetivo da Mocidade é chegar entre as seis ou brigar pelo título?

Vamos brigar pelo título. Todo o trabalho foi planejado para isso. Todos no barracão e na quadra respiram esse clima de título. Tenho certeza de que vamos coroar esse trabalho com a vítoria. A velha Mocidade está de volta com tudo.

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