Coluna Anderson Baltar
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O circo da assessoria fake

2 de maio de 2015
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O circo da assessoria fake

ANDERSON BALTAR

Tenho 15 anos de imprensa de carnaval. Já vi de tudo acontecer: notícias desmentidas, bolas nas costas do assessor e até resultado de final de samba modificar. Mas o que ocorreu nos últimos dias tem uma dose cavalar de ineditismo e surrealismo.

É de conhecimento geral a divulgação da sinopse e do logotipo do enredo da Unidos do Porto da Pedra. Ao ver o texto publicado em um site co-irmão, na última quinta-feira (30), fiquei confuso com o fato do mesmo não ter sido publicado na página de Facebook do presidente da escola, que vem sido utilizada ultimamente para divulgar notícias da agremiação. Perguntei no grupo de Whats App da imprensa carnavalesca se alguém havia recebido tal texto. No grupo, que congrega profissionais de diversas mídias, ninguém havia recebido. Até que uma colega informou que um site havia recebido o material, assinado por uma assessora de imprensa chamada Rebeca Mattos – a qual nenhum de nós havia ouvido falar. Fiquei estarrecido com o fato e não conseguia acreditar que alguém assumiria uma assessoria de imprensa de uma escola de samba sem ter um mailing (lista de e-mails e telefones dos órgãos de imprensa) mínimo. O que se seguiu foi uma discussão a respeito do trabalho de divulgação nas escolas de samba, que foi muito enriquecedora e acho que até vale a pena voltar a ela em breve.

O consenso, não só no grupo, mas também entre o público, é de que o texto continha falhas e precisava ser muito burilado. Lamentávamos que uma escola, que até três anos atrás tivera uma passagem duradoura pelo Grupo Especial, apresentasse tal argumento de enredo. Na sexta-feira (01), a assessora voltou a atacar e divulgou a logo do enredo. Um trabalho de gosto duvidoso e que só colocava em questionamento a qualidade do trabalho de preparação da escola de São Gonçalo.

Horas depois, a escola se pronuncia através de seu Instagram. Como não consigo acessar a conta (meu perfil aguarda autorização), reproduzo aqui um print-screen parcial do posicionamento da escola que recebi no grupo de WhatsApp:

pronunciamentoportodapedra

Portanto, sabemos agora, por meio da própria escola, que o texto divulgado é apenas um esboço (distribuído previamente aos compositores) e que a sinopse definitiva e a logo ainda estão por vir. E que a assessora de imprensa não existe. Sim. Algum (a) malandro (a) inventou a Rebeca e assumiu o posto de interlocução da escola com a mídia.

Os fakes, tão comuns nos grupos de discussão virtual, finalmente  chegaram à imprensa de carnaval. E as escolas de samba ainda patinam, e muito, na organização de seus fluxos de comunicação interno e, principalmente, nos seus canais de divulgação. Enquanto os dirigentes do carnaval não entenderem e não valorizarem a função dos assessores de imprensa, contratando profissionais capazes e com remunerações condizentes com o tamanho do espetáculo, as escolas de samba estarão sujeitas a situações desagradáveis como essa.

Boa sorte ao Porto da Pedra. Aguardemos boas notícias vindas de São Gonçalo. A comunidade da escola e o saudoso palhaço Carequinha merecem.

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