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Samba-Enredo

14 de março de 2015
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GUILHERME SALGUEIRO

Observa-se julgadores descontando em frases que enaltecem o brio do componente. Se o samba deve mexer com o desfilante, certamente esse desconto deve fazer os compositores a pensarem em suas obras para as disputas. Criticam também a “mesmice” melódica, entretanto, ao inovar, algumas escolas são criticadas por uma variação melódica drástica, por não se parecer com o gênero samba-enredo. Explicita-se assim a falta de um critério transparente. Ressalta-se também a argumentação de Felipe Barros para o samba da Unidos da Tijuca. Ele questiona a frase “hoje eu vejo que o ontem é o aprendizado para o amanhã”, onde critica o uso de adjuntos adverbiais de tempo diferentes, confundindo a leitura do enredo. Ora, observar o tempo verbal no presente conflitando com o advérbio ontem, ok, mas lembre-se de que a estrutura imagética do que se foi aprendido ser um espelho para o futuro depende desses advérbios diferentes.

Também foi descontado o samba descritivo. Mas salienta-se que há dois tipos de construção, o samba descritivo e o samba interpretativo, e não há na regra penalização pela escolha de um desses estilos. Assim como presencia-se a mistura de quesitos julgados em um mesmo, quando o julgador Eri Galvão diz que algumas alas passaram sem cantar o samba. Um detalhe, ele diz que partes do samba de algumas escolas passaram com tonalidade baixa. Ora, o que ele provavelmente quis dizer foi que as notas eram graves demais para o canto confortável, pois a tonalidade – com raras exceções – não se modifica, quiçá no meio do desfile. Isso pode demonstrar falta de conhecimento técnico de música. Um último detalhe: o julgador Clayton Oliveira compara a execução do samba na avenida com a gravação no CD. Isso leva a crer que o samba-enredo já é pré-julgado antes de entrar na Sapucaí.

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